No dia em que isso aconteceu senti a terra a tremer debaixo dos meus pés.
Senti que parte daquilo em que acreditava estava a virar-me as costas sem mais nem menos, diante dos meus olhos.
Tinha perdido anteriormente o emprego e acabei por perder a pessoa de quem gostava também.
Anteriormente, tomei a decisão de me despedir de um lugar que me dava segurança financeira, segurança a nível de recheio de carteira, na expectativa de criar uma solução que visa-se a redução da distância geográfica entre nós. Que simboliza-se também, crescimento profissional e mais tempo disponível a cada dia-a-dia para dispensar perto de quem gostava.
A chamada que me prepôs uma entrevista e mais tarde me veio garantir essa mudança toda, fez-me sorrir bastante nesse dia, e no seguinte...
Mas eu tinha consciência que estava a trocar a estabilidade, por algo bem incerto. Mas era um risco que estava bem disposta a cometer por ele.
O amor às vezes é assim, leva-nos a fazer coisas que nunca pensámos fazer na vida.
Dei-me mal, porque a vida não é um conto de fadas, como nas salas de cinema.
O tempo acabou, o trabalho evaporou.
Foi um mês aborrecido de procura, um mês de discussões, um mês de auto estima fraca, um mês de poucos sorrisos... o motivo mais que suficiente para ser logo "largada" como um pedaço de lixo. Sim, porque foi assim que realmente me senti nas mãos dele na parte final da nossa relação.
Descartou-me, como quem descarta uma garrafa vazia no lixo.
E foi essa atitude, que me fez fazer as malas novamente e partir. Partir e procurar noutro lugar, alargar os meus próprios limites geográficos de oportunidades. Posso dizer que chorei no primeiro dia e no seguinte, mas as lágrimas acabaram por secar no terceiro.
Decidi não perder muito tempo com lamentações, porque não são elas que pagam as contas. Assim o fiz e agradeço ao meu anjo da guarda por ter cuidado de mim em terras desconhecidas em dias em que as entrevistas de emprego eram prioritárias e não tinha ninguém ao meu lado para me dizer "é para a esquerda, é para a direita".
É com todo este processo atribulado que estou a converter-me em alguém mais completo, alguém que não quer ser dependente de outro alguém.
Em decisões, em nada de nada.
Consegui compreender que este não foi o meu amor construtivo, aquele amor que inspira quando acabo de abrir os olhos logo após uma noite de sono. Ao lado dele, não iria conseguir compreender isso, o hábito por vezes é cruel connosco próprios.
Embora não seja possível apagar todos os sentimentos que temos de um momento para o outro por alguém, é possível seguirmos livremente ao nosso ritmo.
Ontem beijei outra pessoa. Ainda me pergunto porquê que deixei que esse momento acontecesse... mas ao mesmo tempo não quero saber a resposta. Não porque me tenha tornado um calhau da calçada frio e distante, mas sim porque a vida tem que ser vivida na mesma.
Sem pensamentos excessivos, lentamente e intensamente ao mesmo tempo.
Se não, não valeria a pena existir neste mundo insano.
Ele não se preocupa comigo e por isso... a última coisa que devo sentir é peso de consciência sobre o que fiz bem ou mal.
Ele deixou-me livre, livre para ser quem eu realmente sou, ou para batalhar por quem quero ser um dia.
Hoje, não o critico por me ter deixado numa pessima fase.
Agradeço-lhe por me ter deixado.
Preciso viver a minha vida como realmente sou.
Viver para agradar alguém, é vazio.
Se um dia voltar a gostar de alguém, quero que essa pessoa seja alguém que me transborde e não me complete.
Obrigada por me teres deixado ir, agora vejo que nunca seriamos felizes juntos. Em separado, talvez isso seja possível.
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